Vielas de Outono...

Percorro avenidas de pensamentos, no meio de ruelas cheias de folhas secas. E sobre o seu crepitar indolor, avanço sem rumo, deixando largados no ar, pensamentos muito próprios, muito meus, cujo sentido e sentimento, ainda não consigo enquadrar…nem mesmo nos leves castanhos do ar. ..
Rua acima, rua abaixo, viro na movimentada rua do conformismo, meia dúzia de passos mal medidos, e corto a esquerda na viela da tristeza, até porque a rua do conformismo ainda está parcialmente fechada para obras…
Em plena viela, fixo os passeios mal acabados sem razão, esboroados pela emoção, por historias mal vividas, por dores mal saradas, pelas magoas…é uma viela triste, muito triste…não contenho as lágrimas em fio, e deixo-me transportar pela corrente da tristeza.
Embalado no fluxo, cruzo a rua do absentismo, e êxito ligeiramente, mas sigo pela viela que se apraz tão coerente. Chegado ao fim da “infame” via, olho em redor, pensando se não poderei fazer o percurso inverso, uma e outra vez…
Perdido nos pensamentos redundantes, sou chamado a “terra” por uma senhora de avançada idade, que me pergunta o caminho para a rua da esperança…sorri subtilmente para ela e repliquei, fica logo ao lado da rua da tranquilidade, a senhora, segue pela tranquilidade abaixo e quando vir uns candeeiros em forma de sorriso brilhante, é essa a rua da esperança...não tem nada que enganar.
A senhora sorriu delicadamente para mim, estendeu-me um lenço branco com uns bordados azulados, para que eu enxugasse as lágrimas, e perguntou-me, “não se importava de me acompanhar?”.
Eu assenti…
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Continua na rua da esperança cujos contornos, senti eu, tão bem conheces....