Crise de que?


A informação já não circula à boca pequena, já não é notícia de abertura de telejornais, já não gera conversas de café, não é novidade, já todos sabemos…

Muitos escreveram, todos comentaram. O País não está de tanga, o País e o mundo estão mergulhado numa das maiores CRISES de que há memória.
Crise financeira de níveis ainda por identificar? Sim sem dúvida. Mas será só esse o nosso problema? De todo.

Estamos numa enorme e monstruosa crise de valores, de identidade, de identificação, de força, de postura e estes são os nossos piores e mais entranhados problemas. Ainda por cima não podemos chutar a culpa para ninguém.
Cada vez mais pedimos explicações para fora, em vez de primeiro olharmos para dentro, mea culpa é o que todos devemos fazer. Eu estou a começar aqui, eu estou a começar agora.

Se a cada grande pedra que se atravessar a minha frente, me sentar e dissertar sobre a injustiça da sua aparição, vou ficar sentado até que por erosão da mesma eu possa continuar a caminhada. Nota: elas duram muito mais do que nós. Solução: Partir pedra. Com um garfo, com uma colher? Pode ser, haja coragem e vontade, mas é sempre melhor estarmos apetrechados para o trabalho a que nos propomos, pelo que formar e adquirir competências é o caminho e já agora, chamar um vizinho, um colega ou um amigo para ajudar é sempre uma solução valida. A equipa, o conjunto, o grupo, é muito importante. Lembram-se do que isso é?

Coragem, formação e equipa.

Vamos trabalhar, vamos lutar, vamos acreditar. O País não é, nem nunca foi, um conjunto de pessoas que elegemos para gerirem as nossas questões corriqueiras. Os partidos são os administrativos e as secretárias da nossa sociedade, muito úteis obviamente, mas não necessários na escolha da estratégia e do rumo.

O poder é nosso. O poder está em de cada um dos portugueses que se levantam de manha para com o seu brio profissional dar o seu melhor, se encher de orgulho a si, ao seu grupo, a sua família e ao seu País.

Vamos fazer, mas vamos fazer bem e cada vez melhor. Vamos criar valor.

Se melhorarmos um porcento, um porcento a nossa qualidade, uma vez por semana, basta uma vez por semana…chegamos ao final do ano, com uma evolução astronómica.

Somos a cauda da Europa? Porque? A cauda não tem olhos. Para vermos alguma coisa, temos de ir mais além, ir mais longe, temos de evoluir, temos de acreditar. Ver para avançar, para ditar o caminho.
Vamos usar aquilo que temos de melhor, apetência pelas novas tecnologias, para agilizar processos, vamos facilitar a vida a todos, vamos evoluir e acelerar as nossas vidas, vamos aproveitar a nossa dinâmica ao serviço da eficiência e eficácia que tanto nos faltam.

Se não dermos as mãos, se não juntarmos as cabeças, se não acreditarmos no nosso valor, como é que pudemos acrescentar valor ao que quer que seja. Vamos criar valor ao nosso trabalho. Vamos criar valor as nossas vidas.

Vamos acreditar, lutar com um objectivo. Vamos fazer melhor a cada dia…no final as contas serão fáceis, a cauda será parte de uma historia cíclica que nos levará a um meritório lugar de destaque.
Vamos disseminar esta mensagem por todos os nossos amigos, colegar, parceiros. Não as palavras, mas a mensagem, o querer, a vontade. Vamos fazer alguma coisa por nós. Vamos recuperar a nossa auto estima e a nossa diferenciação. Vamos mostrar do que somos capazes.

Vamos fazer bem, para um futuro melhor.

Pinga na calçada...


Pinga na calçada lá fora, enquanto os pinheiros de natal se enfeitam para o grande baile do dia 25. Chove lá fora, e chove cá dentro, sendo que a água transborda as beiradas do meu ser, do meu conhecimento, do meu contentamento. Tenho sede, mas a agua que me invade não a quebra, não a mata…

Pinga na calçada lá fora, e o quente cá dentro está aprisionado em meu redor, ouvindo os meus pensamentos largados ao som das pingas, e escritos ao som de teclas plásticas de um computador inerte e desprovido de vida…

Pinga na calçada lá fora, mas cá dentro volto a escrever com vontade, sem tempo mas com vontade, vontade de gritar para a enorme blogosfera que “continuo por cá”, condicionado pela vida corriqueira que corrompe os mais saudáveis dos prazeres, mas que não impede estes laivos de loucura que me levam a estar aqui sentado, para largar palavras neste espaço que já foi muito meu, e que agora é cada vez mais um espaço…

Pinga na calçada lá fora, mas aqui dentro, continuo a viver…

Bloco de notas...

Sorrindo e caminhando, tenho levado a vida a um ritmo que estava pouco habituado. Velhas rotinas que recorrentemente me esqueço, enraizados acontecimentos que simplesmente já não acontecem…
Não deixei de escrever, mas simplesmente falta-me a rotina da publicação, da partilha com o meu pequeno grande mundo…infelizmente…ou talvez não.
Hoje vinha em plena auto-estrada, ainda no rasgar da madrugada, quando um familiar cheiro a papel me lembrou o velho caderno de notas e devaneios que a uns largos anos deixei para trás, por troca pela maravilhosa plataforma informática.
Inconfundível cheiro, do papel branco, puro, imaculado, a aguardar pelo humor variável de uma qualquer “bic” laranja ou cristal, ponta fina ou normal…saudade…nostalgia…
Passei pela Fernandes e comprei um bloquinho e uma esferográfica para recuperar velhos hábitos…não chegou sequer a sair do carro.
Sentei-me aqui e percebi que é melhor não reviver velhas sensações, devendo mesmo guarda-las numa bem fechada, caixa de deliciosas memórias…que assim permanecerão para sempre…deliciosas.

Os Óscares…em sonhos

As pipocas, as bebidas com gás e cafeína, as pantufas quentinhas, uma coberta para enfrentar a noite, um papel e caneta para ir apontando todos os prémios de cada filme, fazendo desde logo um histórico para discutir no dia seguinte, na primeira hora da manha, na primeira aulas, era uma semana de lufa-lufa, corre-corre, ver filmes e mais filmes, tentar estar preparado para a grande festa…sendo que depois, havia conversa para mais uma ou duas semanas.
Era assim a uns anos atrás.
Perto das duas da manhã, com um chá quente já bebido, um pijaminha quente vestido, e a velha caneta sobre o papel a resmungar, registei os últimos flashes na memória, com o famoso tapete vermelho e seus ilustres e deslumbrantes convidados, sendo que chegando as primeiras categorias de entrega de prémios…me deixei dormir…e dormi tanto e tão pesado, quem nem me lembro o que sonhei, quiçá com estatuetas douradas.
Não deixei de ser um apreciador de filmes, de cinemas, de festas que giram em torno do cinema, do glamour de Hollywood, nada disso, simplesmente já não há quem veja e discuta comigo na manhã seguinte, quem se questione o porque do premio assim, ou assado, e debata comigo, não há com quem trocar opiniões, mais ou menos fundamentadas, sobre os cânones e convenções desta Meca do cinema que é Hollywood, quem é que defende comigo, que os prémios já estão todos entregues antes de nomeados…ninguém.
Enfim, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades…
Será que eles repetem hoje…hum…vou por as pipocas no microondas.
Sorrindo e caminhando, a vida vamos levando

a minha primeira casa...

A vida corre, acelera por estes corredores existenciais, cada vez mais depressa, e mais depressa. Tudo passa num ápice, as fotos vão ficando pelas paredes, deixadas como memorias, e chega um dia, em que é absolutamente necessário um tecto…para finalmente poder dizer, esta é a minha casa!
O processo foi relativamente simples, sabia o que queria, o quanto podia gastar mensalmente, e voilá, sai uma casinha T2 com sótão, para iniciar.
Entre rolos, tintas, espátulas e vernizes, tudo se vai ajeitando, ganhado a forma, aspecto e dinâmica que se pretende.
A escolha dos equipamentos de cozinha, com palpites de todo o lado, “inox”, “dois compressores”, “forno eléctrico”, “1200rpm”, “Classe A+”, acabou por ser complicada mas muito interessante, acho que acabei por comprar o que queria, mesmo cedendo em alguns pontos, principalmente ao nível financeiro…eu disse principalmente? Queria dizer infelizmente…a vida está de facto muito cara, e comprar qualidade…nem se fala...mas adiante
Uns cortinados diferentes, uns azulejos pintados a gosto, revistas de decoração que se amontoam, ideias novas que voam, e o dia que nunca chega para nada. Ferias para montar casa, alguém conhece?
Muito do que sou, infelizmente tem ficado na gaveta, as minhas leituras, os meus devaneios de escrita, a profusa absorção cultural, visto que todo esse tempo outrora reservado, é agora canalizado para a “construção” da minha primeira casa. Mas eu estou feliz!
Com o passar do tempo, espero que tão curto quanto possível, irei a pouco e pouco regressar a alguns dos velhos “vícios”. O blog é o primeiro.
Estou de volta, e a frase é e será sempre a mesma…
Sorrindo e caminhando, a vida vamos levando.

Believe...

Zonas de passagem, factores e acontecimentos correntes, pessoas revisitadas, locais revividos, emoções experienciadas, tudo coisas e sentimentos que nos invadem, ou com os quais somos confrontados diariamente.
A vida é no entanto pródiga, em nos presentear com uma serie de coisas que não esperamos, e que normalmente colocamos na categoria “isto nunca acontece a ninguém”. Nem sempre essas coisas são más, por vezes podem ser até muito boas, mas são sempre, mas mesmo sempre, surpreendentes, até pelo deslocado da realidade que costumam ser.
Encontrar alguém, de quem se gosta muito, mas que não se vê a “séculos”, no meio da mais movimentada auto-estrada do País, eu diria ser uma situação própria para dizer“isto nunca acontece a ninguém”. O mais curioso, é que depois disto, se fica com um ar incrédulo, durante mais tempo do que o desejado, em vez de se aproveitar o momento, o que também não deixa de ser absurdamente ridículo.
O que é certo, é que de cada vez que uma situação destas acontece, aumenta a nossa crença, em que tudo pode de facto acontecer, e quase nada podemos fazer sobre isso. Resta-nos sorrir e caminhar, porque a vida temos de levar…e neste caso, talvez acreditar.

Mais um dia...

Mais um dia que acorda, que se levanta lentamente, como que se de um suave nevoeiro se tratasse…mais um igual a qualquer outro, banal, ordinário, repleto de coisas boas para absorver, e outras tantas, menos boas, para apreender.
Mais um dia que acorda, que me faz sentir vivo, que me faz andar para a frente.
Mais um dia que acorda cinzento no ar, e onde eu me deixo, pela manhã, contagiar pelas palavras, pensamentos, sonhos, os quais embalo nos primeiros minutos de consciência. Lá fora está o meu doce e bruto cão, que parece estar a estabelecer um curioso diálogo com um caracol...normalmente o caracol perde este tipo de diálogo, até porque o meu cão, acaba por ter um vocabulário diminuto e come-o…
Mais um dia que acorda, que se levanta lentamente com um sorriso tímido, mas que vai abrindo ao longo do dia…se o sorriso não é do dia, então o sorriso é meu.
Bom dia para todos

Acreditar...

Um novo ano, novos objectivos, sonhos renovados, forças redobradas, um acreditar crescente. O desafio está cada vez maior, cada vez mais estimulante, cada vez mais real, neste grande jogo que é a vida.
A vontade de ir a jogo, de estar no jogo, de criar e fazer o jogo, é muito grande, a vontade de ver crescer algo, de construir, de moldar e contribuir, está maior do que nunca, está incontrolável…e ainda bem que assim é.
A todos os que por aqui vão lendo pedacinhos de mim, deixo-vos a melhor mensagem possível, nas singelas palavras desde bloguista de vão de escada… Sonhem, sorriam e nunca mas nunca deixem de acreditar…
O ano de 2008 será certamente um ano grande, até pela forma numérica tão equilibrada, e é por isso, que ao som da chuva ausente do ano transacto, eu vos digo, eu este ano vou ser muito, mas mesmo muito, feliz.
Um bom ano…com muitas letras, bons sorrisos e grandes conquistas.
Sorrindo e caminhando, a vida vamos levando...

Direitos Humanos...

Um abraço, um sorriso, uma palavra amiga, um gesto, um segundo de disponibilidade para pensar, ouvir, escrever…qualquer coisa que nos faça lembrar, que nos impeça de esquecer, hoje é o dia dos direitos humanos.
É por uma mão amiga, que me junto a um protesto pacifico na blogosfera, em nome dos direitos humanos, isto numa semana, onde os grandes lideres mundiais, estiveram reunidos em Lisboa, "a mesa" com alguns dos maiores facínoras da história mundial.

Se começarmos hoje, a fazer qualquer coisa em prol de um mundo cada vez mais pródigo em profanar a vida, a estraçalhar a existência, já começamos tarde…mas é sempre bom começar, até atingirmos o patamar da normalidade, em que não precisa de existir uma data para fazer parar, pensar, agir.
Por todo mundo, milhares de situações violam diária e claramente os direitos humanos, somos constantemente confrontados com abusos, de todas as espécies e ordens, com negligencias, com destruição injustificada…
É tempo de fazer qualquer coisa.
Fome, Guerra, Violência, Negligencia, Conformismo, Passividade, estes podem ser alguns dos vectores de um mundo sem rei nem roque, cada vez mais autista, mais virado para o seu umbigo…
Vamos fazer algo hoje, amanha, e no dia seguinte, vamos lutar por uma humanidade de respeito, com respeito, com vida…
Eu, por mim, e fazendo uso de uma ferramenta cada vez mais global como os Blog’s, digo, EU NÃO CALO…
Um pequeno gesto, pode ser uma grande oportunidade de ajudar este mundo doente.

Perder tempo...ganhar vida...

9:30 da manhã, o espesso nevoeiro teimava em não desaparecer, sendo quase possível come-lo a colherada, talvez polvilhado com um pouco de chocolate em pó...
Olhei para o relógio calmamente, sondei em meu redor, e nada…ninguém…a suposta reunião, era quase que em cliché, adiada por uma hora e pouco.
Neste tempo que mediou, fiquei a pensar…
O que levará as pessoas a baixarem os olhos, a se negarem à luta, a deixar de acreditar nos seus princípios e formas de pensar? O que será que nos “verga”? Os outros? As ideias que apreendemos deles? Nós próprios? Será o “vergar” um acto de maturidade, de evolução na medida em que “vergamos” porque alguém nos “ensina” ou incute algo supostamente mais correcto, visto que tem uma posição “superior” a nossa?…Passividade??…não acredito.
Subserviência e abnegação, são posições sociais, são formas de estar, nas quais, e com as quais, eu nunca vivi, nem me revejo. Posso, a título puramente excepcional, condescender, ou mesmo relevar, agora baixar os olhos, encarar as questões e as pessoas de uma forma enviusada, perder o contacto visual, por um segundo que seja? Não, não devemos ser assim, em nenhum quadrante da nossa pacata existência, não podemos ser assim.
Não há seres perfeitos, felizmente na minha óptica, até porque nada de interessante haveria para escrever sobre eles, a nossa humanidade, é uma bênção, é uma graça, devemos agarra-la como se não existisse amanha, como se a vida fosse acabar em 5 minutos.
Olhos atentos, cabeça levantada e aberta, mangas arregaçadas, e mãos a obra, a vida é curta de mais para ser levada com passividade, a vida é boa demais para ser desperdiçada com ornamentos indesejáveis. A vida é doce demais para ser desperdiçada a dormir, teremos todo o tempo…assim haja ausência de vida, até porque desse sono, ainda ninguém acordou.
O tempo que mediou, foi, foi, foi e acabou…os homens, seres andantes e pensantes, entende-se com as palavras, descobre com o risco, arriscam com as probabilidades, resolvem com genialidade…há que acreditar em mais qualquer coisa, para além da mediocridade que a nossa sociedade acaba actualmente e invariavelmente por cair.
Nós podemos e queremos ser mais, não sou só eu, somos todos nós. O futuro, está todo nas nossas mãos, nas nossas mentes, nas nossas almas.
Eu sei, eu quero, eu acredito, eu posso. E tu?
Estava na hora da reunião, agora sim com os intervenientes todos a postos, fumo branco, fumo negro, não interessava mais, houvesse fumo e já estariamos no caminho certo…

Sorrindo e caminhando, a vida vamos levando…para uma reunião...

Sigam-me...

Para onde?
Para onde,
O azul do céu, é pintado a pastel multi-tom,
Onde o sol, pisca sempre duas vezes ao dia, apenas para ti,
Onde as pessoas todas, dizem bom dia,
Onde um abraço, é companhia,
Onde um beijo é magia,
Onde um simples cheiro, serve de guia,
Onde há sempre, mas sempre, um amigo a espreita,
Onde a verdade, é uma digna figura eleita,
Onde há tranquilidade oceânica,
Onde tudo é correcto, e tudo é capaz,
Onde ser bom, não é ser audaz,
Onde ser feliz, é uma obrigação,
Onde ser amado, não é uma questão de imposição,
Onde sorrir…é viver

Sorrindo e caminhando, a vida vamos levando...

1º livro, página 161, 5º Frase Completa...

É com todo o prazer, que aceitei o desafio da Neptuna.

Objectivos:
1º) Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2º) Abra-o na página 161;
3º) Procurar a 5ª frase completa;
4º) Postar essa frase no seu blog;
5º) Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6º) Repassar para outros 3 blogs.

As "brilhantes" respostas:
1º) Torne-se pequeno e pense em Grande, de Seth Godin
2º) Não é que este, tem mesmo mais de 161 paginas...
3º) Achei, achei!!!
4º) "Neste ponto não tem êxito, porque ainda não arrancou";
5º) É mais do que evidente que não escolhi a melhor frase, até porque o livro é fantastico
6º) Passo agora o desafio á Carol, a Chihiro, e a Inês.

As pessoas redundantes, que nos invadem a vida…continuação…

Partindo de um comentário antigo que aqui já deixei, volto agora, por força das circunstâncias em que me envolvo diariamente, a falar um pouco de tautologia e nas pessoas tautológicas, vulgo redundantes, e na estreita relação que as mesmas estabelecem com os corriqueiramente apelidados de "dadores", e em como estes se misturam na actual sociedade que temos.
A tautologia é, na retórica, um termo ou texto redundante, que repete a mesma ideia mais do que uma vez. Pode ser considerada um sinónimo de pleonasmo ou redundância. A origem do termo vem do grego tautó, que significa "o mesmo", mais "logos", que significa "assunto". Portanto tautologia, é dizer sempre a mesma coisa, em termos diferentes.
Na filosofia e em outras áreas das ciências humanas, diz-se que um argumento é tautológico, quando se explica por ele próprio, redundantemente ou falaciosamente. Por exemplo, dizer que "o mar é azul, porque reflecte a cor do céu, e o céu é azul por causa do mar" é uma afirmativa tautológica. De forma análoga, um sistema é caracterizado como tautológico, quando não apresenta saídas à sua própria lógica interna, uma espécie de pescadinha de rabo na boca, na sua forma de gíria popular e não como prato gastronómico de afamada qualidade.
Pessoas redundantes, são todas aquelas, que baseiam a sua vida, e maneira de estar na mesma, nos princípios tautológicos, isto é, repetem as mesmas ideias, vezes e vezes sem conta. Nada de grave se passaria, caso as ideias de base fosse perfeitamente correctas…o que nem sempre acontece…
Os redundantes, são autistas na sua maneira de ver as coisas, vêem de uma forma muito clara, aquilo que acham ser a verdade absoluta, mesmo que seja uma verdade absurdamente desviante, (aqui até podem ser confundidos com idealistas inveterados) e depois insistem no seu périplo pelo mundo da redundância “loopiana”, tentando convencer tudo e todos, com a sua certeza açambarcadora, e absorvente de qualquer ideia externa…Quando confrontados, de uma forma perfeitamente justificada e alicerçada em saberes mais altos, o redundante usará da sua grande e ultima arma, “ficas com a tua, que eu fico com a minha”…
Quando encontramos uma pessoa redundante, que acumula arrogância na personalidade, então temos um exemplar perfeito de um sugador de paciência inveterado, que nunca desarma, e vence tudo e todos, pelo cansaço, pelo desgaste terminal…
…mas que cai, invariavelmente, no esquecimento…
As pessoas Redundantes, são normalmente acompanhadas, de perto, pelos Dadores incansáveis.
Os Dadores, são pessoas com relativamente baixa auto-estima, que vivem das graçolas de vão-de-escada, e das ideias, motivadoras e brilhantes, ditas a medo, que lhes permite sobreviver e deambular de forma quase despercebida, no meio dos verdadeiros idealistas e dos arrogantes Redundantes.
Incansáveis na maneira como dão, os Dadores, pecam na sua essência, pela pouca paciência que demonstram, em situações limite. Preparados para suportar quase tudo, há invariavelmente um dia, incerto na data, onde definitivamente rebentam para a vida, e para o mundo…
Não tendo sido brindados, com a gentileza e doçura tranquila dos Delicados, um grupo muito interessante do ponto de vista sociológico, mas pouco, do ponto de vista efectivo da evolução, os Dadores acabam por ser incompreendidos, quando um dia, dão “o murro na mesa” e dizem a plenos pulmões, “Basta, estou farto de pessoas redundantes, que nos sugam até ao tutano, e nada devolve de bom...”
Fica aqui um grande obrigado, aos vários Dadores que tenho encontrado pela vida, e que se prestaram a partilhar toda a sua sapiência e saber comigo. Fica também um agradecimento especial, embora possa não ser entendido, a todos os Redundantes que encontrei, por me mostrarem, em como não ser…
Quanto a mim, não sei ao certo como me qualificar, umas vezes acho-me numa “categoria”, outras noutra, vezes há em que em nenhuma me revejo nem sinto…talvez não haja um enquadramento perfeito para todos nós…posso ser eventualmente uma espécie de híbrido, o que não quer necessariamente dizer melhor, antes pelo contrario…
Sorrindo e caminhando, a vida vamos levando…

Um Chá envolto em doçura…

Dois goles de chá quente, um bafo ameno que se mantém por alguns segundos, a sensação de agasalho, como que se de um abraço terno e sentido se tratasse…os efeitos benéficos de um chá, não muito especial, mas tomado na hora e local exactos, estão comprovados ou no mínimo aprovados…
Muitas vezes me perco e embrenho na minha escrita dispersiva e inócua, e nela arrasto alguns “loucos” que seguem as palavras soltas, que rodam e rodam, muitas vezes sem um fim a vista, quase sempre sem um sentido literal, apenas com o sentimento do momento, que tento construir e retratar com singelas letras.
Confesso, que muitas vezes me incuto a subir ao “mastro mais alto” dos meus pequenos textos, e espreitar em redor, para ver se existe “terra” por perto, onde alicerçar as minhas divagações, os meus delírios, os meus sonhos…quase nunca acontece…
Mas há momentos simples, quiçá invisíveis para os demais, que transportam uma doçura e tranquilidade aconchegante, que só usando das aparentemente inócuas palavras, ouso tentar descrever. Se sou bem sucedido? Não sei, mas gostava que assim fosse. Até porque esses momentos, mesmo que curtos e rápidos como uma Polaroid, mesmo que singelos e corriqueiros como um chá quente, devem ser sempre partilhados...
Sorrindo e caminhando a vida vamos levando…

Gavetas, com sorrisos doces, no lusco-fusco...

Com o lusco-fusco a atingir o horizonte, pintando o céu em tons pastel escuro, a as estradas encadeadas a ficarem definitivamente para trás, lembradas apenas pelos rasgos da luz traseira do carro, eu disse-lhe numa voz quase a medo, quase sussurrada, “já estás a dormir?”, ao que ela me respondeu docemente e com olhar contemplativo “não, estou apenas a pensar na vida”.
Estas palavras entraram em loop na minha cabeça, e de lá não saíram, até que também eu fiquei a pensar na vida, na minha vida…
Durante dias, nas primeiras horas da manhã, em plena tranquilidade de um lar pejado de dorminhocos, fui arrumando e reorganizando as várias gavetas da minha mente, ainda meio cheias e desarrumada com a última grande revolução… a maior até hoje. Mas naquele momento, ouvindo aquelas palavras, e com um sorriso meio louco cravado no rosto, vindo não sei de onde, voltei a desarrumar tudo instantaneamente, gaveta por gaveta, todas fora do sitio, e voltei a olhar para elas com olhos de ver…
A claridade desapareceu em definitivo, e o manto negro cheio de pontinhos brilhantes, começou a fazer as delícias de quem percorria as estreitas estradas sem destino rígido nem horários. Nessa altura voltei a perguntar-lhe “ainda a pensar na vida, ou já a dormir?”, ao que ela de sorriso terno respondeu, “agora já estava quase a dormir”…
Não arrumei as minhas gavetas todas, percebi finalmente que há gavetas que tem de ficar mais algum tempo a arejar, mas foi importante voltar a abri-las, deixa-las respirar, deixa-las realizar.
É giro, como há palavras, que ditas quase que de uma forma displicente, podem ter tanto significado nos nossos ouvintes…
Obrigado
Sorrindo e caminhando, a vida vamos levando…

“Os quatro…de olhos postos num forno”

Ingredientes: 4 amigos, 5 latas de atum Bom Petisco, 3 cebolas médias, 4 dentes de alho grandes, 4 carcaças duras, 4 ovos XL, polpa de tomate qb, sal, pimenta, limão, noz-moscada, azeite e salsa…e muita paciência.
Confecção: atirar tudo para dentro de uma panela, excepto os ovos e o pão, deixar cozinhar com carinho e um toque de música suave…
Juntar o pão previamente demolhado, envolver com delicadeza. Passar com a varinha magica para homogeneizar. Retirar do fogo e acrescentar os ovos e uns pozinhos de perlimpimpim. Por fim levar ao forno…entretanto podem ir fazendo a salada, cozendo o arroz, ou fritando, conforme o gosto, lendo aquele livro que já nem se lembravam do titulo, dormir, tudo mas mesmo tudo se pode fazer, enquanto um “sacana” de um pudim, cozido em banho-maria, nos olha de dentro de um forno como que a dizer “têm fominha os meninos é, pois eu ainda estou um bocado mole, assim molezinho… é só mais um bocadinho, ok…”
O pudim venceu a primeira batalha, mas a paciência tem limites, e passado hora e meia, já na segunda ronda, foi para uma fruteira improvisada de travessa, meio desmaiado mas rendido as evidencias...
Os comensais, comeram e gabaram, tal era a fome dos coitados, enquanto o incrédulo pudim de atum ia resmungando, “ainda não estava no tempo, eu devia ter cozido mais um bocadinho”…mas o que é certo, é que marchou...
Há noite, quando os bocejos eram música nos meus ouvidos e as estrelas iluminavam o céu como decorações de natal, veio a vingança do bravo, mas mole, pudim, felizmente apenas contra mim, mas a má disposição foi de facto uma realidade, só resolvida no WC...
Venci a segunda batalha, mas perdi no final guerra…enfim, nada que não esteja já habituado, lambendo as feridas e andando, a vida vamos levando…”sacana” do pudim…

Os quatro, na Miuzela do Côa, a caminho de Salamanca…

A manhã já ia avançada, quando finalmente conseguimos deixar a Miuzela, e rumar com destino a Salamanca.
Entrar em Espanha hoje em dia, está longe de constituir uma emoção, as cabines de fronteira continuam lá, mas fechadas, apenas para dar um ar nostálgico à questão, há polícias dos dois lados, embora os do lado português, mais fraquinhos, não estivesse na rua, estava fresquinho coitadinhos….
Nas auto pistas, a velocidade de cruzeiro impera, até porque a guardia civil espreita. A “discussão” entre “portas”, começa na música que se ouve e acaba naquela que não se ouve, varrendo todos os gostos, tipos e estilos…sendo que assim, lá fomos rolando serenamente, até ao destino.
Ao chegar a cidade, património mundial, e contornado o problema do estacionamento, lá fomos em busca das entranhas de uma cidade, cujo centro histórico devia servir de exemplo para aquilo que andamos a fazer em Portugal, mas lá diz o ditado “de Espanha, nem bons ventos, nem bons casamentos…”, e os ditados dizem grandes coisas sobre a vida…ou talvez não.
A arquitectura do centro histórico de Salamanca, segue a linha cromática da catedral, os mesmos tons pastel, que no meio do Outono, mas com um sol brilhante nas costas, são os ideais para “lagartar”, principalmente na Plaza Mayor. É engraçado, como circula tanta gente nova pela “velha” cidade, facto que não é certamente alheio a Universidade, que tantos portugueses tem acolhido.
Três voltinhas grandes, quatro passos pequenos, almoço? Onde? No pior sitio de Salamanca, pois claro. O nome? Não me lembro, acho que tive um bloqueio mental, que dura até hoje, sobre esse pequeno pedaço, muito pequeno, da minha vida. Mas não comam sopa castelhana…é um conselho de amigo, dessa não me consegui esquecer, felizmente ou infelizmente.
A conversa desenrolou uma tarde fresca, convidando a uma visita aos principais edifícios, um “giro” pelos arrabaldes da cidade. O regresso, à tranquilidade da Miuzela, já se fez com o sol meio escondido, e com as estrelas a pintalgarem o céu…mais um dia, muito bem passado…se esquecermos a sopa castelhana…

Amanhecer na Miuzela do Côa…

Acordei cedo, os parceiros de fim-de-semana ainda dormitavam serenamente, mas o resmungar da agua a passar no sistema de aquecimento central, não me deixava pensar com clareza, e não me deixava dormir com tranquilidade, conclusão, banhinho e bora lá conhecer Miuzela mais a fundo, com a luz do sol timido a servir de guia…
Sigam-me, através da escrita, que isto vai ser emocionante, tentem acompanhar a eloquência apaixonada das minhas palavras…ok, já está, acabou, Miuzela é isto tudo...
Sendo um bocadinho mais rigoroso, Miuzela do Côa é uma pequena Aldeia com vista para a Serra da Estrela, pertencente ao concelho de Almeida. Tem cerca de 400 habitantes, mas segundo consta, a população aumenta para 4 a 5 vezes, durante os meses de Verão…estes dados carecem de confirmação.
A arquitectura é típica da zona circundante a serra da estrela, embora o número de casa bem recuperadas e de aspecto agradável a vista, seja muito diminuto, o desinvestimento e a desertificação, levam a estas coisas.
As ruas acordam, pouco agitadas, ou quase paradas, meia dúzia de carros, uma dúzia de pessoas, mas tanto os carros, conduzidos por afáveis locais, como os pedestres, dirigem-se-nos sempre, mesmo que parando abruptamente, com um amigável e caloroso “bom dia”.
Quarenta minutos de caminhada e 25 fotos depois, o passeio acabava…não, não é a questão do citadino fraquinho, que não aguenta andar a pé muito tempo, é mesmo porque a aldeia é muito pequenina, embora em determinados ângulos, muito amorosa…

A partida…rumo a Miuzela do Côa…

Já passavam oito horas, desde o inicio da fresca manhã que se fazia sentir. O sorriso era ligeiramente mais rasgado do que o costume, fim-de-semana prolongado à porta…dá nisto.
Levantei-me com o cantar irritante das galinhas alheias, fiz a mala calmamente, passei uma água pelo carro, e abalei para os check up’s normais do veículo em dia de viagem longa, gasóleo, água e pressão do equipamento pneumático. Recolher os convivas era a etapa seguinte.
A primeira a embarcar, Vera: Bem disposta, delicadamente simpática, mas ligeiramente atrasada…embora com uma boa desculpa e com um grande sorriso para compensar...
O segundo elemento, Luis: Bem disposto e afável, embora desde logo a reclamar do ligeiro atraso, mas com um sorriso mal dormido que lhe fica sempre bem, ou talvez não…
A terceira conviva, Rita: Bem disposta, timidamente doce, ligeiramente intimidada, e manifestamente irritada com umas flores secas que trazia na mão...
Enfim, o grupo da “boa disposição”, assim se esperava, estava reunido e pronto a arrancar.
No negro alcatrão, o carro foi rolando, vagarosamente entre os milhares que se pretendia deslocar para norte, apesar da música de qualidade e do conforto climático vivido a bordo, o plano de ir almoçar tranquilamente, pelo caminho, parecia então posto em causa…passando as intermináveis obras da A1, foi recuperar terreno até Castelo Branco, parando a meio para tentar, tentar será mesmo a palavra correcta, almoçar no Kabra’s em Mação …
Chegados ao segundo local escolhido para o belo repasto de inicio de mini férias, o mesmo estava fechado, ou melhor, o local tinha mesmo desaparecido…estávamos definitivamente, a começar bem.
Entre pedido de clemência por hambúrgueres, salsichas, pizzas ou outra coisa qualquer que aniquilasse ou pelo menos apaziguasse ligeiramente a fome, foi no contacto com uma local de ar credível e sobejamente informada, até porque a senhora tinha uns 70 anos, que lá fomos encaminhados até ao Kalifa-Restaurante, famoso na zona, há quase 28 anos…saí de lá sem perceber muito bem porquê, pelo que me vou escusar a comentar, o mau atendimento e antipática tácita, a carta de selecção curta e a ausência de recomendações, os pedido trocados, as doses mal empratadas e de diminuta quantidade/qualidade, os doces de plástico, quer no aspecto quer no sabor, as figuras sinistras que se sentaram ao balcão enquanto comia-mos, enfim, não vou dizer nada de depreciativo sobre este restaurante, eles não merece, afinal de contas tem casa aberta a 28 anos…
De barriguinha cheia, ou quase, lá seguimos rumo ao nosso destino. Uma passagem rápida, por uma superfície comercial de média dimensão, onde finalmente se pôde notar a diferençazita de temperatura para as terras mais a Sul, e lá fomos por uma serpenteante e estreita estradinha, até ao centro de Miuzela do Côa, que nos parecia receber de braços abertos…ninguém nas ruas…nem uma pessoa…nem sequer um cão…

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